"Aquele cujo sentimento pende para o melancólico não é assim chamado porque, privado da alegria de viver, se atormente numa sombria tristeza, mas porque os seus sentimentos, quando são intensificados até um certo grau tendem para esse estado mais facilmente do que para outro. Ele possui acima de tudo um sentimento do sublime. A própria beleza, da qual possui também o sentimento, tem não apenas de atraí-lo mas ao mesmo tempo de comovê-lo, na medida em que lhe provoca admiração. O saborear do prazer é nele mais sério, mas não por isso menos intenso.
Ele é constante, e por isso ordena os seus sentimentos segundo princípios. Comparado com aquele que só ocasionalmente se revela bondoso ou movido pelo amor, ele é um homem de princípios. Como quando a secreta voz do seu coração lhe diz: "tenho de ajudar aquele homem, que está a sofrer; não porque ele seja meu amigo ou meu conhecido, ou porque veja que ele poderá retribuir-me o benefício que lhe faço; não há tempo para aduzir razões e deter-me em questões: ele é um homem, e o que acontece a um homem também me diz respeito". Nesse caso, o seu comportamento tem por base o mais elevado fundamento da benevolência na natureza humana e é sumamente sublime, quer pela sua inalterabilidade, quer pela universalidade da sua aplicação. Para ele, a veracidade é sublime e por isso odeia mentiras ou fingimento.
Possui um elevado sentimento da dignidade da natureza humana. Estima-se a si mesmo e considera o homem como uma criatura que merece respeito. Não tolera nenhuma submissão abjecta e respira liberdade no seu nobre peito. Abomina todas as cadeias, quer sejam os colares de ouro que se usam nos palácios ou as pesadas grilhetas de ferro dos escravos das galeras."
Ele é constante, e por isso ordena os seus sentimentos segundo princípios. Comparado com aquele que só ocasionalmente se revela bondoso ou movido pelo amor, ele é um homem de princípios. Como quando a secreta voz do seu coração lhe diz: "tenho de ajudar aquele homem, que está a sofrer; não porque ele seja meu amigo ou meu conhecido, ou porque veja que ele poderá retribuir-me o benefício que lhe faço; não há tempo para aduzir razões e deter-me em questões: ele é um homem, e o que acontece a um homem também me diz respeito". Nesse caso, o seu comportamento tem por base o mais elevado fundamento da benevolência na natureza humana e é sumamente sublime, quer pela sua inalterabilidade, quer pela universalidade da sua aplicação. Para ele, a veracidade é sublime e por isso odeia mentiras ou fingimento.
Possui um elevado sentimento da dignidade da natureza humana. Estima-se a si mesmo e considera o homem como uma criatura que merece respeito. Não tolera nenhuma submissão abjecta e respira liberdade no seu nobre peito. Abomina todas as cadeias, quer sejam os colares de ouro que se usam nos palácios ou as pesadas grilhetas de ferro dos escravos das galeras."
Kant, Considerações acerca do sentimento do belo e do sublime, 1764.

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